Santa Virginha

Virgem Santa. Virgem nada, não teve filho com o acaso. Foi com o Pai. Manoel da Costa Pai. Esse sim é o pai daquela criança. E Santa? De qual espécie de animal estamos falando mesmo? Nem Papa é santo. Nem Santo é santo. Mas voltando a Virgem, sim, esse era seu nome, Virgem Santa da Costa. Recebeu esse nome pela devoção da mãe em querer uma filha freira. Ah Dona, sinto mas isso ai é outra coisa. Se casou com Manoel, namorou Antônio e Beto, jogou charmes pra cima de Fagundes e Dombosco e tudo, quero dizer todos, ao mesmo tempo. Pobre Manoel, até hoje acha que o coração quente de Dona Virginha, assim conhecida, é puro e só seu. Eu que a diga…

Um dia “nublado”

Vou a padaria, não há mais nada para fazer em casa e talvez um café alegrará o meu dia. E que dia. Nada de certo aconteceu, tudo ao contrario se procedeu e não sei o que fazer na maioria das vezes então, vou sempre tomar um café na padaria nesses dias nebulosos. Alias, o céu está limpo, o sol brilha como se quisesse a nossa alegria. A rua está calma, com alguns vizinhos conversando na calçada, num dia de sábado. Chego a padaria, que não é longe da minha casa. Só mais um dia triste tentando se alegrar. Tomo meu café, brinco com as crianças que ali compram balas ácidas e volto pra casa. Vou dormir, nada hoje está bom.

Cinzas

O som de vento pairava sobre o ar. E só. Nem uma palavra foi pronunciada após aquele “então?”. Marcio já não sabia se o então era o sim ou era a confirmação do não. Debora não fazia a minima ideia do que pensara quando dissera aquilo. Era tudo tão relativo, nem um pouco explicativo. A incógnita puxa-saco dos dois. E foi assim permanecido, o silêncio do vento naquela manhã vazia e cheia de pensamentos.

Mexeu, Voltou

No colo de Maria, Werner chora como criança. Apesar de já ter mais de trinta e cinco anos. Não chora de alegria não. É de dor. Umas crianças andaram se metendo em sua vida, e agora já era. Fizeram uma armadilha e tanto a ele, tadinho. – Daqui a pouco o susto passa,querido – diz Dona Maria. E pobre Maria, ter que consolar um filho com esposa e dois filhos quase que criados.

Cinco Meses e Meio

Capitulo UM – Dois meses depois

Episódio 01 – ladrão nú

Dona Janette entra na sala e espanta-se ao ver Eduardo pelado logo abaixo do lustre.

– Perdão, Janette! – Diz apressado a achar algo a te cobrir – levaram-me as roupas e os documentos. Lembrei da chave reserva e entrei por trás.

Nunca mais houve roubo ou se quer estupro por aquelas ruas. Dona Janette não desconfia. Só não confia diante do que vê. Sobe correndo a pegar vestes de Eduardo, que já mora ali por dois meses com pagamento vencido. Não que ela reclame. Ele é um “como se fosse meu filho”, diz a todos os amigos.

Desejei

Seria sem graça se tudo fosse fácil. Seria fácil se tudo viesse junto. Seria triste se eu não vivesse com amor.

As vezes eu penso que seria cansativo saber demais. Trabalhar duraria duas horas, não teria mais graça ler um livro de 200 páginas, quem dera um de 1.800.  Cantar seria algo inútil. E sucesso pra que? Todos entenderiam a mesma coisa. E pra que iria servir o google? Os sites? Então, porque foi criado a internet mesmo? A calculadora estaria em sua memória. Não haveria pintores, cada um faria suas próprias obras. Aliás, os escritores sumiriam da face da Terra.

Juro que, um dia desejei nascer sabendo. Mas pra que mesmo? Pra não ter um amor? Não ter um professor? Não acumular conhecimentos e vencer guerras da vida? Concorde comigo: não saber de tudo é a melhor maneira de criar, sofrer e alcançar metas.

Hoje podemos pensar no nosso futuro companheiro, moradia, emprego. Poder aguçar nossos sentidos, priorizar palavras, descobrir novos horizontes e maneiras diversas de atingir o mesmo objetivo é uma das maiores conquistas que a nossa raça é capas de se orgulhar.

Nascer sabendo tudo, nem pra pobre em periferia vai adiantar alguma coisa. Conhecer é pensar no futuro. E pensar no futuro é viver todos os dias aprendendo que seja a dar um beijo ou a fazer uma comida instantânea.

Descanso

Eu o vi pela última vez. Descansarei no quente a partir de agora. Não que eu ache ruim, apenas disse. Uma boca como aquela não se encontra nem nela própria. Olhos maiores que aqueles jamais verei outra vez, em qualquer outra proposta. Sorrisos de orelha, cochichos de abraços… Já sei como vai ser. Fria e rápida. Evidente que terá muita dor. Meu coração parou de bater. Já sinto o sangue correr lentamente por todo o corpo. Iria ganhar um abraço, mas foi eu quem afastou, sou eu que estou queimando. Permaneço com olhos bem fechados, já basta o que vi. Afinal, a partir daqui nada será igual. Aliás, a partir daqui não sei nem quem sou.