A volta

A gente sempre vai em algum lugar. E depois volta. Não tem outro jeito, é assim que funciona. Pode ser que tenha sumido, mas daqui a pouco aparece. Até pode parecer perdido. Sabe de uma coisa? Coisas perdidas costumam ser achadas. As vezes não por quem perdeu, mas por quem quis achar. É incrível como a vida acontece e a gente nem percebe.

People, eu voltei.

sem título (pelo autor)

Não me olhou
Não me deu a honra do seu perdão
Não me apontou o caminho
Da salvação

Não morou em meu peito
Esqueceu a vontade
Recusou minha ternura
Negou a realidade

Não viu que me feriu
Não percebeu que me cortou
Não notou a morte
Me afastou

Infeliz o momento que fechou os olhos
Flutuou, levou me embora
Cortou minhas asas
Me fez despencar

Não me sentiu
Não me beijou
Não me mostrou a verdade
Não me aceitou

Sussurrou..
Em meu ouvido,
bem baixinho:
“Não te quero mais”

 

autor: Fernando  Lucente

Queijo Minas

Queijo é bom. Ainda mais o minas. Ah que saudade daquele tempo, daquele ano, daquela tia cujo melhor arroz doce foi preparado por suas mãos. Nos tempos de video-game do primo, jogando Super Mario World e chegando até a última fase. Falava do queijo, certo? O cheiro de Minas se resume ao gosto do queijo que comi a uns 32 segundos atrás. Estou em Florianópolis, em uma casa denominada “Queijo Mineiro, a Melhor Casa de Floripa.” Pode não ser como em Minas, mas as cores, os gostos, tudo me lembra aquele pedacinho de terra que vivi durante algum tempo. Indeterminado tempo que queria de volta e tive, pelos 32 segundos. Espero iniciar minha nova vida pelo primeiro passo que eu der fora dessa casa. Irei para o aeroporto, comprarei minha passagem, e reviverei meu tempo de criança. Sem o arroz doce ou o video-game, mas estarei lá, sentirei o cheiro. O cheiro de queijo.

Simples

Um dia conversei com um passarinho. Na verdade eu falei. Ele cantou canções de amor quando eu dizia palavras doces. Procurava um bom lugar para seu ninho porém se distraiu fácil. Difícil é isso acontecer, passarinho se distrair. Mas ele parou. Parou e me olhou. Virou a cabeça uma, duas vezes e piou. Então comecei a cantar, “lá lá lá lá lá” e as vezes “hmmmhmhm” e mais duas ou três viradas de cabeça. Calei-me e o observei. Ele enxergava além de mim. Aí que ele voltou a agir e procurar o melhor galho de uma árvore alta e me deixou sozinha, no plano da mata, sem ter com quem dizer “oi” ou cantarolar.

(Segundo) Querido Diário da Inteligência e Artificialização Humana

Foi lindo como a chuva em dia de verão. Como as nuvens pretas ao céu azul. O asfalto novo, preto e reluzente que dá medo de pisar e estragar. Os prédios altos de vidros refletindo o céu claro e nebuloso. O dia como se não existisse céu. Nem mar. Nem nada. Tudo cinza que minha cabeça girava como uma praga viva, deitava na grama verde, a única cor do dia. Beijo não tinha mais, mas o mais das árvores ainda existiam com corações em marrom claro. E o jogo de cores. Ah, cinzas, verdes e marrom. Estava belo, estava doce como as nuvens refletidas. Foi só mais um dia, dentro de um ônibus, com milhares de gente no sacode dos buracos do asfalto novo. E mais cores apareciam ao redor do dia.

Querido Diário da Inteligência e Artificialização Humana

Porque escrever me deixa segura de que alguma coisa está certo nesse mundo. Talvez só o fato de eu escrever seja o que está certo. Porque nem sempre eu escrevo com o coração. As vezes uso os olhos ou então as minhas próprias mãos. Mas, é impossível se calar quando o céu está azul, as nuvens como algodão e lá no fim tem montanhas. Nem o barulho de civilização estraga essa convivência com a natureza de quem tem olhos para enxergar e coração para sentir. Veja, estou escrevendo, olhando e sentindo. Quer dia melhor que esse?

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Será uma sequência de posts onde estarei criando pensamentos urbanos sobre a beleza das coisas humanas e naturais. Talvez inspirações de minha janela ou então de alguma rua com algumas pessoas brigando. São só dia a dia, compartilhado com a Inteligência e Artificialização Humana.

La Noche – Djavan

Noite (Traduzida) cd Ária – 2010

A noite não quer vir
Eu quero estar perto de você
E poder te roubar um beijo
E se não sabes quem és
E pouco a pouco a deixarei
Que você vá me descobrindo
Eu quero estar perto de você
Quando romper o amanhecer
Ou quando estiver escurecendo
Gritos de amor se ouviam
Uma rosa serei para você
Em meus sonhos você respondia
Nunca se esqueça de mim
Seu amor roubou minha alma
Seu amor me roubou o sono
E a mim deixou sem nada
Eu de ilusão me mantenho
Eu sou cativo de seus beijos
Que me queima por dentro
Minha ilusão e alegria
Já é tudo o que tenho.

tic, tac.

E mais uma vez, ela chora. E sempre é sua culpa. É ela quem insiste, é ela quem dá coragem e no fim, ela desaba. Mas vai continuar, durante anos e anos, talvez mais que anos. Quem sabe uma vida inteira será assim. Entre o bom e o ruim, tem sempre o melhor. Se é o que ela quer, não custa. Mas, fazer o que num momento desse? Escolher a felicidade, a dificuldade ou a facilidade? Ela não sabe o que fazer e eu, bem, eu não sei como ajudar. Sente dores a toa, mas sente. E dói tanto quanto uma dor de cabeça. É real. A dor e o sentimento. Agora, o que escolher? Como saber?

E o que quer que seja, ela vai saber, ela precisa de um tempo. Então, o relógio começou a partir de agora.